segunda-feira, 23 de maio de 2016

Victoria’s Secret e as Magras

A obra de Botero é interessante exatamente pela forma que ele apresenta as pessoas – todas seriam gordas, mas nem por isso seriam consideradas feias.
A aparência física é a primeira coisa que chama atenção nas mulheres. Sendo assim, elas cuidam bastante do visual para ter a aprovação de todos.
Isso, porém, não é um processo simples. Antes da década de 1950, eram valorizadas as curvas nas mulheres. Isso significava que elas pareceriam gordas na avaliação de hoje.
Quando se fala em Victoria’s Secret, a imagem que aparece automaticamente é de uma bela modelo de lingerie. Nada demais.
Erin Heatherton foi modelo da marca e recentemente resolveu denunciar a pressão que havia sobre as modelos para perder peso:
“Nos meus últimos shows para a Victoria’s Secret, fui cobrada no sentido de que deveria perde peso. (...) Eu fiquei realmente deprimida porque eu estava trabalhando tão duro e senti como se meu corpo estivesse resistindo a tais mudanças (...) e eu cheguei a um ponto que numa noite, depois da academia, olhei para a minha comida e pensei que talvez não devesse comer.”*
Heatherton tocou num ponto fundamental: deixar de comer para ser bela e aceita na sociedade. A obsessão quanto a essa atitude pode tornar-se uma doença – anorexia.
O fato de que esse tipo de discurso e cobrança vem de uma empresa tão importante como a Victoria’s Secret, claro, só torna tudo muito mais grave, afinal, muitas adolescentes seguem a marca e se baseiam na aparência das modelos para construir o seu próprio visual. Não é por acaso, neste contexto, que surgem tantas histórias de adolescentes que sofrem com a anorexia.


(*) Krintina Rodulfo. Erin Heatherton Opens Up About Body Image Struggles She Faced as a VS Angel -"I remember staring at my food and thinking maybe I should just not eat."​​ Elle, April 5, 2016. http://www.elle.com/culture/celebrities/news/a35347/erin-heatherton-victorias-secret-body-image-struggle/



domingo, 24 de abril de 2016

Tratamento de Choque

Gostei, na época, dos primeiros episódios de “Anger Management” ("Tratamento de Choque") de Charlie Sheen. Como muitos, eu acreditava que ter uma nova série faria bem para ele sair da notória crise (escândalos, prostitutas, drogas e excesso de bebida) que surgiu após a sua demissão de “Two and Half Men”.
“Anger Management” foi inspirada no filme de Jack Nicholson e de Adam Sandler. Era irônico, para dizer o mínimo, ver Charlie Sheen como um terapeuta de pessoas que tinham dificuldades de lidar com a própria raiva.
Na série, as confusões aconteciam tanto no trabalho como na vida pessoal (do personagem de Charlie Sheen). As histórias do terapeuta eram, de alguma maneira, convincentes.
Fora da tela, houve polêmicas como a saída da atriz Selma Blair e o anúncio de que o ator era HIV positivo. O fim da série tornou-se previsível.
Em suma, pode-se afirmar que “Anger Management” não marcou tanto como “Two and Half Men”, mas foi uma série divertida.
© profelipe ™

terça-feira, 12 de abril de 2016

Led Zeppelin 1972-1975

Assisti ao “Live in London 1972 until 1975”. Trata-se do tipo de DVD que pode ser encontrado em qualquer loja mas que, na verdade, é um pirata. Essa prática (já comentei aqui) é muito comum na Itália (sobretudo com os CDs). A qualidade do DVD não é perfeita, claro. Se for pensado o padrão da década de 1970, porém, é uma verdadeira obra de arte. Quem conhece a história do Led Zeppelin, a atuação do Peter Grant nos bastidores, os simbolismos nas roupas e nos instrumentos, bem, é realmente um documento histórico que representa um período. O Robert Plant daquela época não é o chato que insiste em falar mal do Led Zeppelin atualmente, Aliás, ele é um dos destaques do show porque ele conversava bastante nos intervalos das músicas, ouvia os comentários dos músicos e do público, interagia, sorria, respondia e continuava no que tinha intenção de comentar. Os comentários eram sobre as músicas, quando foram criadas, a influência de John Bonham num som que assumia formas diferentes até chegar ao que seria o produto final. Jimmy Page era o centro do show, claro, mas não havia conflitos de egos, os quatros músicos sabiam o que deveriam fazer e pronto. Parece que em Londres os músicos ficavam tranquilos sem a pressão das longas “tours” nos Estados Unidos (onde estava o dinheiro). Na Inglaterra, parecia que estar em casa influenciava o astral do grupo. Aliás, todas das histórias de violência, selvageria, estupros e excessos com drogas tinham como cenário os Estados Unidos e a saudade que os músicos sentiam de suas fazendas e daquele ritmo de vida. Enfim, o DVD é muito bom e representa bem o que foi o grupo período (1972-1975).

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“Stairway To Heaven”

Não é a primeira vez que o Led Zeppelin tem problema com direitos autorais. Aconteceu, por exemplo, com “Whole Lotta Love” – a solução, aqui, foi incluir o nome de Willie Dixion como um dos compositores da canção. Em 1990, Robert Plant falou sobre o tema:
"'Whole Lotta Love' representou um avanço no rock 'n' roll. Se as letras não tivessem sido roubadas, a música não seria menor por isso. O erro foi não dar os créditos ao Dixon.
O ‘riff’ do Page sempre foi ‘riff’ original dele. A composição do Page estava lá antes de qualquer outra coisa. Eu apenas pensei, [diante da música do Page], 'Bem, o que eu vou cantar?’ Foi isso. (...) Bem, você só é pego quando você faz sucesso. Esse é o jogo." (Musician, Junho de 1990, p. 47)
O processo de “Stairway To Heaven” é diferente. A acusação é contra o uso da música (portanto, não é sobre o plágio das letras). Essa é a área do Jimmy Page. Mesmo assim, os dois compositores do Led Zeppelin responderão ao processo que foi encaminhado nos Estados Unidos. Haveria similaridades entre o início de “Stairway To Heaven” (1971) e a música “Taurus” do Spirit (1967) - isso, aliás, é verdade, bastaria ouvir os trechos das duas canções.
“Jimmy Page teria ‘se inspirado’ para escrever ‘Stairway to Heaven’ do Led Zeppelin após ouvir Spirit tocar ‘Taurus’ enquanto as bandas faziam uma turnê juntas em 1968 e 1969. Entretanto, [Randy] Wolfe [do Spirit] nunca ganhou crédito por sua criação.” (The Guardian, April 12, 2016)*
A ação judicial seria para resolver tal erro. Os representantes do Led Zeppelin, por outro lado, afirmam que:
“(...) Wolfe era um compositor de aluguel que não havia reivindicado coisa alguma quanto a canção e seus acordes eram tão clichês que não mereciam proteção quanto aos direitos autorais.” (The Guardian, April 12, 2016)*
De acordo com The Guardian, Randy Wolfe havia dado uma entrevista em que reclamava a falta de reconhecimento do uso de seus acordes em “Stairway to Heaven”. Ele havia feito isso antes de morrer em 1997.
Provavelmente, como em “Whole Lotta Love”, o Led Zeppelin perderá a causa e o nome de Randy Wolfe constará nos créditos de “Stairway To Heaven.”

domingo, 10 de abril de 2016

Alien Sex Fiend



Alien Sex Fiend é interessante. Alice Cooper aparece como influência, o que explicaria a linguagem teatral no palco. A sonoridade lembra bastante “Bela Lugosi’s Dead” do Bauhaus. A banda é identificada com “positive punk” e “gothic music”. Gosto de “Dead And Buried”.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Umbra et Imago

Eis uma grande banda. 
É assumidamente gótica - “Goth Music”. 
Toca uma versão incrível de “Rock Me Amadeus”.
Fala de amor – “Liebeslied". 
Fala de maneira coerente da depressão - “Depressionen”. 
Usa (quando necessário) uma linguagem teatral para representar o que é dito numa canção – “Sonntagsandacht”. 
Usa com orgulho a sonoridade de um coral com letras “góticas”, como na bela “Gebet Nr. 1”: “Peço-te para morrer com dignidade (...) Ó Senhor, dá-me apoio, pode me perdoar? Sou duro e frio, nada pode mover-me mais.”*
Critica a cobiça, a religião, a moral e a hipocrisia – “Alles Schwarz”. 
Precisaria mais... para um grupo de rock? Acho que não.

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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Mom

Gosto da série “Mom”. São boas as atuações de Anna Faris e Allison Janney.
É necessário reconhecer, porém, que não existe novidade em fazer comédia a partir dos conflitos de uma família disfuncional.
De qualquer maneira, merecem destaques os casos que envolvem personagens que têm problemas com bebidas e precisam participar de encontros dos Alcoólicos Anônimos.
Neste sentido, apesar do caráter humorístico, os diálogos e os casos parecem bem reais. Isso não seria possível se a sociedade não lidasse de uma maneira tão cínica quanto ao consumo de bebidas alcoólicas.
De um lado, há o incentivo e o elogio ao álcool – que aparece associado até ao esporte -, e por outro, existe a condenação moral daquele não consegue controlar “o seu próprio prazer.”
Existem, no mesmo ato, o incentivo e a condenação. O que não existe é uma debate sobre o significado do excessivo consumo de bebidas alcoólicas.
Em outras palavras, aparecem os julgamentos no que diz respeito aos efeitos do desequilíbrio gerado pela bebida, mas não são tratadas as causas de todo o processo.
Discutir as causas significaria criar indivíduos mais críticos, o que parece não interessar aos que controlam os rumos que a sociedade deveria seguir. Por isso, aliás, não funcionaria uma medida como proibir o consumo de bebidas alcoólicas.
© profelipe ™