Um agente do FBI disse que ninguém nasce psicopata. Os traumas sofridos na infância deveriam o perfil do indivíduo. Trata-se de um perspectiva freudiana. Entretanto, as afirmações do agente são feitas a partir de várias experiências nos Estados Unidos.
Como colocar um psicopata na prisão? Primeiro, é necessário admitir que o psicopata é um pessoa inteligente. Faz planos. Nada acontece ao acaso.
Segundo, o foco do psicopata, a partir do seu passado, é a repetição de uma fantasia. Existiria um "gatilho" que detonaria todo o processo da fantasia. Ela funcionaria como "um CD em seu cérebro". Entretanto, a fantasia nunca seria completa. Por isso é necessário a repetição. Isso significa que o psicopata estará sempre caçando novas vítimas.
Portanto, em terceiro lugar, seria importante admitir que nunca seria possível controlar a mente de um psicopata.
A teoria é razoável mas ela é feita por um policial que quer respostas práticas. As relações humanas são complexas. Não seria possível definir tudo a partir de uma teoria de causa e efeito.
Contudo, pensar como o agente do FBI seria admitir que todo machista teria uma perspectiva de um psicopata: a infância, a fantasia, a repetição e a busca por novas vítimas. Nada mal.
... Influenciado por um depoimento de Henry Miller - "mas eu não vou parar de escrever, pelo menos vou querer me divertir com isso; estou cansado de fazer coisas longas, sombrias e sérias" - e pela leitura de "Mitologias" de Roland Barthes, comecei a escrever textos opinativos sobre vários temas ... © profelipe ™
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
INSIGNIFICÂNCIA
Calvin diz num quadrinho: "a realidade continua arruinando a minha vida".
Eu mudaria uma palavra "a emoção continua arruinando a minha vida."
Tal "monstro" é sem controle, surge de dentro, como um dragão, cuspindo fogo, gerando calafrios, dores de cabeça, ansiedades, entre outras coisas.
Heidegger dizia que com a angústia poderíamos ver efetivamente a realidade. Trata-se de um preço alto demais.
Entretanto, quando o assunto é sentimento, qualquer ser humano torna-se um refém.
A única vantagem, talvez, é que nesse momento ele se dá conta de sua insignificância.
Eu mudaria uma palavra "a emoção continua arruinando a minha vida."
Tal "monstro" é sem controle, surge de dentro, como um dragão, cuspindo fogo, gerando calafrios, dores de cabeça, ansiedades, entre outras coisas.
Heidegger dizia que com a angústia poderíamos ver efetivamente a realidade. Trata-se de um preço alto demais.
Entretanto, quando o assunto é sentimento, qualquer ser humano torna-se um refém.
A única vantagem, talvez, é que nesse momento ele se dá conta de sua insignificância.
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
A VELHA FORTALEZA
A pessoa tem 30 anos.
Está formada. Boa universidade.
Possui estabilidade no emprego.
Sempre viaja nas férias e nos feriados prolongados.
O roteiro, nos fins de semana, são bares... O objetivo: diversão e diferentes mulheres / homens. Não namora.
Não quer uma relação estável.
Possui o seu próprio carro.
Frequenta motéis. Mora com os pais.
O seu verdadeiro espaço é o seu quarto...
Aquele, que ao longo dos anos, foi pintado algumas vezes, os "posters" mudaram de acordo com a idade...
Entretanto, é o mesmo quarto. 30 anos depois.
Representa a velha fortaleza da criança que tinha medo do mundo lá fora.
A criança ainda permanece no quarto. Talvez nunca cresça.
Está formada. Boa universidade.
Possui estabilidade no emprego.
Sempre viaja nas férias e nos feriados prolongados.
O roteiro, nos fins de semana, são bares... O objetivo: diversão e diferentes mulheres / homens. Não namora.
Não quer uma relação estável.
Possui o seu próprio carro.
Frequenta motéis. Mora com os pais.
O seu verdadeiro espaço é o seu quarto...
Aquele, que ao longo dos anos, foi pintado algumas vezes, os "posters" mudaram de acordo com a idade...
Entretanto, é o mesmo quarto. 30 anos depois.
Representa a velha fortaleza da criança que tinha medo do mundo lá fora.
A criança ainda permanece no quarto. Talvez nunca cresça.
ALIENAÇÃO OU CONSCIÊNCIA NA SEDUÇÃO
As revistas de nudez nunca atraíram os olhos femininos. Tanto em casos como a Playboy (mulheres nuas) ou a Playgirl (homens nus) o público é o mesmo: homens (heterossexuais ou homossexuais).
De fato, a perspectiva feminina é diferente do olhar masculino. A fêmea precisa ser admirada. O macho gosta de ver, seduzir e caçar.
O homem heterossexual é, antes de tudo, um "voyeur". A mulher possui o poder da atração. Ela conhece os truques, as dissimulações e os acessórios:
"Engano possível sobre o corpo que os enfeites escondem e que se arrisca a decepcionar quando é descoberto; ele é rapidamente suspeito de imperfeições habilmente mascaradas; teme-se algum defeito repelente; o segredo e as particularidades do corpo feminino são carregados de poderes ambíguos."*
A mulher, normalmente, sabe utilizar essa ambiguidade a seu favor. Quando isso acontece, torna-se, nas palavras de Neslon Rodrigues,
"uma potência fantástica, devido à atração sexual. Isso lhe dá o instrumento de domínio, todo sujeito que tem grande atração por uma mulher está liquidado. Ela exerce o poder e ele a submissão."**
Mas... será que toda mulher tem consciência do seu poder de sedução? O corpo humano é importante e pode provocar várias reações.
"A estética está no coração da natureza humana. Quando se fala em estética, é necessário falar da estética do corpo humano."***
Para Camille Paglia, nem sempre as mulheres estão conscientes do que provocam nos outros, especialmente nos homens:
"Vejo mulheres fazendo 'cooper' na rua com os seus seios para cima e para baixo e eu acho que elas estão loucas. Elas realmente não vêem que são um alvo de provocação ao correr."³*
A falta dessa consciência pode criar problemas para as mulheres, entre eles, um dos mais graves seria o estupro. Trata-se de um tema bastante polêmico. Por um lado, "as mulheres, em sua maioria, precisam ser seduzidas e consideradas atraentes."³* Por outro lado, não se pode afirmar que a própria mulher seria a responsável por um estupro. A alienação, nesse caso, pode causar conseqüências imprevisíveis:
"uma garota toma 12 tequilas numa festa de faculdade e um rapaz a chama para subir para o seu quarto e, então, ela fica surpresa quando ele a ataca?"³*
Esta relação de poder entre duas pessoas pode ser associada ainda em outro contexto. Na Grécia Antiga, a relação amorosa considerada "nobre" era entre um homem e um rapaz:
"O amor pelos rapazes não pode ser moralmente honrado, a não ser que ele comporte (...) os elementos que constituem os fundamentos de uma transformação desse amor num vínculo definitivo e socialmente preciosos, o de 'philia'."¨*
A sedução no que diz respeito aos rapazes poderia ser interpretada atualmente como casos de pedofilia:
"Eu endosso, ou defendo, o 'garoto-amante' em meu livro. Isto era racional e honroso na Grécia Antiga, no auge da civilização. Pornografia infantil? Metade da carreira de Caravaggio não é nada além de pornografia infantil, ou seja, meninos expondo os órgãos genitais. Eu posso entender o por que, na atualidade, da proibição de filmes de crianças sendo expostas à pornografia, mas eu defendo as pinturas que apresentam pornografia com crianças ou o sexo nos quadrinhos (que eu realmente gosto). Existe um incrível mercado para os 'sex comics'. Eu acredito que eles são mais criativos do que os orgasmos simulados das mulheres."³*
A mulher e o "garoto-amante" aparecem como objetos de sedução. Entretanto, trata-se de uma relação mais complexa. Primeiro, o que foi dito no caso da mulher aqui refere-se à atualidade e o que foi citado do "garoto-amante" está associado ao período da Grécia Antiga. Segundo, colocar mulher e "garoto-amante" como seres somente "passivos" é polêmico, sobretudo no caso da mulher, adulta, que, muitas vezes, uso o poder de seu corpo como forma de dominação. Dizer que as alienadas são vítimas é desconsiderar que "cada um deveria ser pessoalmente responsável pelo que acontece em sua vida."¨²*
Em suma, a relação entre um adulto e uma criança é uma relação desigual. No entanto, a relação entre dois adultos (homem e mulher, homem e homem ou mulher e mulher) é diferente, ou seja, a alienação não pode servir de justificativa para o fracasso numa relação de poder. Todos nós, conscientes ou alienados, somos responsáveis por nossas escolhas e pela maneira que nos apresentamos aos outros, com os olhares, gestos, sorrisos e, claro, a maneira como nos vestimos.
* Michel Foucault, O Cuidado de Si, p. 220.
** Nelson Rodrigues, Playboy, Novembro de 1979.
*** Camille Paglia, Playboy, October, p. 133.
³* Camille Paglia, Playboy, October, p. 170.
¨* Michel Foucault, O Uso dos Prazeres, p. 198.
¨²* Camille Paglia, Playboy, October, p. 171.
De fato, a perspectiva feminina é diferente do olhar masculino. A fêmea precisa ser admirada. O macho gosta de ver, seduzir e caçar.
O homem heterossexual é, antes de tudo, um "voyeur". A mulher possui o poder da atração. Ela conhece os truques, as dissimulações e os acessórios:
"Engano possível sobre o corpo que os enfeites escondem e que se arrisca a decepcionar quando é descoberto; ele é rapidamente suspeito de imperfeições habilmente mascaradas; teme-se algum defeito repelente; o segredo e as particularidades do corpo feminino são carregados de poderes ambíguos."*
A mulher, normalmente, sabe utilizar essa ambiguidade a seu favor. Quando isso acontece, torna-se, nas palavras de Neslon Rodrigues,
"uma potência fantástica, devido à atração sexual. Isso lhe dá o instrumento de domínio, todo sujeito que tem grande atração por uma mulher está liquidado. Ela exerce o poder e ele a submissão."**
Mas... será que toda mulher tem consciência do seu poder de sedução? O corpo humano é importante e pode provocar várias reações.
"A estética está no coração da natureza humana. Quando se fala em estética, é necessário falar da estética do corpo humano."***
Para Camille Paglia, nem sempre as mulheres estão conscientes do que provocam nos outros, especialmente nos homens:
"Vejo mulheres fazendo 'cooper' na rua com os seus seios para cima e para baixo e eu acho que elas estão loucas. Elas realmente não vêem que são um alvo de provocação ao correr."³*
A falta dessa consciência pode criar problemas para as mulheres, entre eles, um dos mais graves seria o estupro. Trata-se de um tema bastante polêmico. Por um lado, "as mulheres, em sua maioria, precisam ser seduzidas e consideradas atraentes."³* Por outro lado, não se pode afirmar que a própria mulher seria a responsável por um estupro. A alienação, nesse caso, pode causar conseqüências imprevisíveis:
"uma garota toma 12 tequilas numa festa de faculdade e um rapaz a chama para subir para o seu quarto e, então, ela fica surpresa quando ele a ataca?"³*
Esta relação de poder entre duas pessoas pode ser associada ainda em outro contexto. Na Grécia Antiga, a relação amorosa considerada "nobre" era entre um homem e um rapaz:
"O amor pelos rapazes não pode ser moralmente honrado, a não ser que ele comporte (...) os elementos que constituem os fundamentos de uma transformação desse amor num vínculo definitivo e socialmente preciosos, o de 'philia'."¨*
A sedução no que diz respeito aos rapazes poderia ser interpretada atualmente como casos de pedofilia:
"Eu endosso, ou defendo, o 'garoto-amante' em meu livro. Isto era racional e honroso na Grécia Antiga, no auge da civilização. Pornografia infantil? Metade da carreira de Caravaggio não é nada além de pornografia infantil, ou seja, meninos expondo os órgãos genitais. Eu posso entender o por que, na atualidade, da proibição de filmes de crianças sendo expostas à pornografia, mas eu defendo as pinturas que apresentam pornografia com crianças ou o sexo nos quadrinhos (que eu realmente gosto). Existe um incrível mercado para os 'sex comics'. Eu acredito que eles são mais criativos do que os orgasmos simulados das mulheres."³*
A mulher e o "garoto-amante" aparecem como objetos de sedução. Entretanto, trata-se de uma relação mais complexa. Primeiro, o que foi dito no caso da mulher aqui refere-se à atualidade e o que foi citado do "garoto-amante" está associado ao período da Grécia Antiga. Segundo, colocar mulher e "garoto-amante" como seres somente "passivos" é polêmico, sobretudo no caso da mulher, adulta, que, muitas vezes, uso o poder de seu corpo como forma de dominação. Dizer que as alienadas são vítimas é desconsiderar que "cada um deveria ser pessoalmente responsável pelo que acontece em sua vida."¨²*
Em suma, a relação entre um adulto e uma criança é uma relação desigual. No entanto, a relação entre dois adultos (homem e mulher, homem e homem ou mulher e mulher) é diferente, ou seja, a alienação não pode servir de justificativa para o fracasso numa relação de poder. Todos nós, conscientes ou alienados, somos responsáveis por nossas escolhas e pela maneira que nos apresentamos aos outros, com os olhares, gestos, sorrisos e, claro, a maneira como nos vestimos.
* Michel Foucault, O Cuidado de Si, p. 220.
** Nelson Rodrigues, Playboy, Novembro de 1979.
*** Camille Paglia, Playboy, October, p. 133.
³* Camille Paglia, Playboy, October, p. 170.
¨* Michel Foucault, O Uso dos Prazeres, p. 198.
¨²* Camille Paglia, Playboy, October, p. 171.
sábado, 22 de dezembro de 2012
CONHECER O OUTRO
- Eu gostava, antigamente, de conhecer as pessoas ouvindo as suas histórias de vida (todos o detalhes da construção de um passado). Agora não mais.
- Hoje prefiro conhecer as pessoas com os silêncios, os sorrisos, as lágrimas, os olhares, os gestos, os lapsos, as presenças, as ausências, "as presenças ausentes", as fotos e suas edições para a Internet, os "posts" que são escritos de uma maneira mas querem dizer outra complemente diferente...
- Acredito que, atualmente, conheço melhor as pessoas do que antes.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
VINGANÇA
Viver é alimentar uma vingança contra si.
As perdas, as decepções e os fracassos retornarão algum dia, na fase adulta, em várias formas: pesadelos, insônia, falta de apetite, marcas no corpo, desinteresse sexual, entre outras.
A bagagem da vingança contra si é armazenada no inconsciente.
Não há como fugir. Trata-se do preço de estar vivo e ter tido experiências.
A vingança contra o outro é problema.
Ela só faz sentido se a vida perdeu o sentido, afinal, o indivíduo gastará o seu presente - aqui e agora - para arquitetar e realizar um plano de destruição do outro.
Na verdade, tal projeto significa não apenas o fim do outro mas ainda a destruição de si mesmo.
Se realizada, a vingança pode ser vista como uma "obra de arte" pois representa, ao mesmo tempo, a destruição do outro e de si na medida em que dedicar-se ao outro é, de certa forma, morrer aos poucos, deixar de viver.
Esse dedicar-se ao outro corresponde tanto do ponto de vista negativo - a vingança - como positivo - o amor.
domingo, 9 de dezembro de 2012
DOMINGO
Muitas pessoas ficam deprimidas no domingo, sobretudo após ouvir a música do final do "Fantástico".
De fato, essas pessoas não "vivem" o domingo - o aqui e o agora - pelo que ele é: um dia livre, um dia de ócio.
Essas pessoas "vivem" uma representação do domingo, elas "perdem" o presente e focam no futuro, o domingo deixa de existir e torna-se o dia anterior da segunda-feira, que todos odeiam pois ela significa o início da longa semana de compromissos e obrigações.
Deixar de viver o aqui e agora e gastar o tempo do presente pensando no futuro é um fuga. Trata-se sobretudo de uma fuga de si.
Em relação ao domingo, ainda existem outros problemas:
. "o dia livre": as pessoas não têm tempo para elas durante a semana, são escravas dos compromissos e dos projetos que elas inventaram para não serem livres;
. "o dia do ócio": as pessoas têm medo do ócio... sonham com o "fazer nada"... mas o "sonhar" é projetar no futuro, é um pretexto para não viver o agora... "fazer nada" causa pavor pois essas pessoas terão que se deparar, neste momento, com elas mesmas.
Ah, "mais uma coisa": Bom Domingo!!!
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