terça-feira, 1 de setembro de 2015

MORRER JOVEM?

O que dizer sobre a velha problemática do The Who (“espero morrer antes de ficar velho”)?
Pete Townshend e Roger Daltrey ainda realizam shows com o nome do grupo (Townshend, pelo menos, reconhece que, em 2015, eles não passariam de uma banda cover qualquer).
Basta lembrar de Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison, John Bonham, Ian Curtis, Sid Vicious, Kurt Cobain...
Aqui (no Brasil) como não falar de Raul Seixas, Cazuza, Renato Russo...
Parece que, do ponto de vista do rock n’ roll, continuar na vida seria algo como uma punição e¹ 
a sentença seria a decadência de “querer parecer jovem” e², 
de fato, fazer um papel patético de repetir o passado de várias formas, 
com (ou sem) plásticas, cabelos pintados, botox, viagra, alprazolam... e³ 
ainda querer parecer “saudável e atual”, abandonando o álcool e as drogas...
Tudo seria válido no sentido de prolongar a ridícula existência em um planeta no qual a vida não faria mais sentido.
Mick Jagger, Paul McCartney, Robert Plant... Não!! Posso até pertencer a esse grupo (que ainda vive), 
mas eu, efetivamente, tiro o chapéu para os “fantamas” Bon Scott, Keith Moon, Syd Barrett, Brian Jones, Freddy Mercury... e tantos outros. 
Esses viveram o estilo rock n’ roll. Sorte deles. A nossa sorte foi ter acesso (até hoje) ao som fantástico que criaram.
© profelipe ™

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Garotos & Homens

Aparentemente a mulher vive mais do que o homem. Merece.
O homem, em suas últimas décadas (ou anos) de vida, não se importa e nem acredita em muitas coisas.
Passou pelo que as pessoas passam: bons estudos, bons empregos, bons romances, bons casamentos, divórcios complicados, desempregos, falências, crises da meia idade e assim por diante.
O que importa é que chega um momento em que ele deixa de ser um garoto e “vira” homem. Isso significa: “fuck off”.
Poucas coisas o preocupam. Não importa (quase) a quantidade do whisky, mas sim a qualidade da bebida. Os charutos devem ser originais e cubanos. As mulheres devem ser belas (se são falsas... bem, isso torna-se um problema mais delas...).
O homem, diferente do garoto, fica no essencial. Não importa com o que dizem. Não se interessa simplesmente.
Não tem medo de entrar em qualquer bar sozinho. Não puxa conversa com os outros. Bebe, fuma e faz sexo... Tem insônia (viveu experiências demais para dormir como um anjo).
Evita brigas mas tem fascínio pela destruição e pela autodestruição. Prefere ouvir do que falar. Não conta vantagem. Jamais “entrega” alguém. Se está realmente junto, vai até o fim.
Morre sem o verdadeiro reconhecimento do que fez na vida. 
Nunca se importa. 
Sempre acha que a morte chegou tarde demais. 
Diante da “velha senhora”, não sente tristeza, não sente alegria. 
Sabe que isso seria só um fato da natureza.
Pode ser mito. Tanto faz. O que vale é que após décadas, um verdadeiro homem sabe que já não é mais um garoto (e que não precisa explicar isso para ninguém).

segunda-feira, 27 de julho de 2015

SER COMO ANTES

A vida termina aos 40 anos. Depois disto, não existe novidade. O que ocorre é uma tentativa de reviver “os anos dourados” da juventude. Não funciona.
Cirurgia plástica, botox, álcool, cocaína, Viagra, Prozac... Nada faz “ser como antes”.
É frustrante viver mais décadas e tentar encontrar o passado que não existe mais. Isso vale para qualquer um.
Fingir que nada mudou, claro, pode ser mais grave. O risco do ridículo é óbvio.
Mick Jagger e os Rolling Stones eram motivo de piada dos Sex Pistols em 1977. Em 2015, Keith Richards e o seu grupo ainda fazem shows em estádios lotados. Ainda ganham bastante dinheiro. Entretanto, basta se aproximar do espelho para perceber que muita coisa mudou. Não existe produção que conserte o estrago que o tempo fez.
O indivíduo pode viver até aos 90 anos ou mais. E daí? Pode ser um milionário famoso como Hugh Hefner. Com o passar do tempo, porém, o que de fato aparece no corpo são os traços de que o fim chegará a qualquer momento.
Depois dos 40, viver mais 30 ou 50 anos não seriam a mesma coisa de como... quando tudo era novidade (na juventude).
É um erro, portanto, essa história de “prolongar a vida” do homem neste planeta. Trata-se, na prática, de prolongar ilusões e de se defender da certeza final: a própria morte.
Certamente o que dito aqui não funciona como uma lei geral e muito menos serve para respaldar a tese de certos economistas de que o indivíduo só seria útil ao mercado enquanto estivesse entre os 20 e 40 anos.
© profelipe ™

terça-feira, 7 de julho de 2015

Bill Cosby & Quaalude

Seduzir uma mulher não é fácil. Do ponto de vista do homem, trata-se de um longo processo que normalmente não apresenta resultado algum.
O que ele imagina ser uma “paquera” pode começar antes do final de semana, numa academia ou numa faculdade ou em algum outro lugar. Marcam de fazer “algo” na sexta-feira. Ele acredita que se “investir” adequadamente, terá o “retorno garantido”. Vão ao cinema, restaurante, bar e boite. No final, ele recebe um beijo no rosto e ela diz que adorou tudo e que já o considera “um amigo”.
Após uma frustração como essa, o homem pode apelar ou resolver as coisas do seu jeito: rápido, sem preliminares e sem reclamações.
Como?!? Simples: bastaria drogá-la. Bill Cosby usava “Quaalude, sedativo e hipnótico” (Veja, 07/07/2015) para ter relações sexuais com as suas vítimas.
Bill Cosby não é qualquer um. Famoso, “era considerado uma lenda do humor televisivo americano e um símbolo da luta contra o preconceito racial, além de representar a imagem do bom pai de família.” (Veja, 07/07/2015)
Não é porque alguém, rico e famoso, precisa utilizar alguma droga para “seduzir” as mulheres que isso seria uma justificativa para fazer a mesma coisa. Muitos homens cometem o mesmo erro e devem ser punidos por isso.
Seduzir é difícil. Os sinais dos homens e mulheres são diferentes. Nada, porém, justifica a falta de respeito e a intenção de usar o outro só como um objeto de sua fantasia (e não como um se humano).

© profelipe ™

 Bill Cosby admite que drogou mulher para ter relações sexuais. Veja, 07/07/2015. http://veja.abril.com.br/noticia/entretenimento/bill-cosby-admite-que-drogou-mulher-para-ter-relacoes-sexuais

quinta-feira, 25 de junho de 2015

RESSACA MORAL

O álcool é uma armadilha que liberta os instintos mais primitivos. Tudo seria ótima caso não existissem as consequências.
A cena é simples: bebidas em excesso e um celular (por perto)... O estrago está feito.
Não precisa o envolvimento de outra pessoa. Mesmo sozinho, o indivíduo alcoolizado é capaz de causar danos a si mesmo que nem o seu pior inimigo poderia ser capaz de planejar (e executar).
O processo normalmente começa com um desequilíbrio interno.
De um lado, existe uma censura interna, que o impede de fazer quase tudo que deseja.
Por outro lado, revoltado e vendo a vida passar na sua frente (sem vivê-la), o indivíduo pode radicalizar e querer fazer “tudo ao mesmo tempo agora”.
Como ainda não tem coragem para liberar o seu “lado selvagem”, usa o álcool como pretexto para realizar os seus instintos. A noite serve como cenário perfeito. No escuro e alcoolizado, tudo parece possível (e permitido).
A noite termina. O efeito do álcool também... O que sobra?! Ressaca “moral”? Arrependimento? Como explicar (racionalmente) atos que foram motivados pelo instinto, pela emoção?
O pior é perceber que ser livre e realizar os instintos sem qualquer forma de censura, claro, pode gerar consequências que não serão resolvidas de um dia para o outro. Em outras palavras, ser verdadeiro (consigo mesmo e com os seus desejos) pode significar ser punido no mundo civilizado.
A alternativa não seria ser falso ou dissimulado. Na civilização, os extremos são descartados em nome do “adequado e saudável” equilíbrio. Se isso é correto ou não, aos olhos da grande maioria, seria algo totalmente sem propósito.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

APARÊNCIA FÍSICA



A aparência física é, inicialmente, o que motiva alguém a conhecer outra pessoa. Entretanto, ela não é suficiente para manter um longo relacionamento (o que é evitado por muitos, principalmente os homens).

Neste contexto, utilizando só a aparência física como critério, é possível ficar com mais de uma pessoa numa noite. Não existe conversa. Não existe interesse em conhecer a “beleza interior” do outro, basta usufruir a beleza proporcionada pelo corpo.

O problema é que agir desta maneira gera uma sensação de vazio no outro dia na medida em que o ser humano não se limita ao seu corpo, aquilo que é visível.

É difícil, porém, conhecer alguém de fato sem passar pelo teste da aparência física. Ela aparece quase como um cartão de visitas.
Mas ela é mais complexa do que isso. Ver alguém pela primeira vez pode despertar desconfiança ou repulsa e isso pode ter a ver mais com quem está vendo do que com o possível objeto de desejo.
A imagem da pessoa, por exemplo, pode ser associada a algum trauma do passado e isso impossibilitaria o desenvolvimento de um relacionamento saudável.

Na verdade, a aparência física é só a ponta do “iceberg”. Ela apresenta sinais do que pode ser a pessoa. No entanto, existem muitos truques que podem disfarçar ou esconder quem verdadeiramente estaria por trás daquela imagem.
Não dá para conhecer a pessoa sem ir além da aparência física. Isso não se faz numa noite.
Depende de tempo.
Depende de um relacionamento longo que nem sempre as pessoas estão dispostas a viver porque (1) preferem o superficial e o prazer imediato ou (2) simplesmente porque não têm nada mais a oferecer do que a aparência física.
Talvez isso ajude a explicar porque muitos investem mais na própria imagem do que no lado intelectual.

Para muitos homens, qualquer sinal de conversa séria deveria ser entendido como uma DR (Discutir a Relação), uma coisa negativa que deveria ser evitada a todo custo.
Sem conversa, a comunicação ficaria bastante restrita, o que dificultaria ir além da aparência física. Chega um momento, porém, que todo ser humano precisa compreender o que acontece nos seus relacionamentos.
Mesmo na televisão, quando são mostrados personagens masculinos que adoram o estilo de vida do “solteirão”, eles, mesmo “contrariados”, são obrigados a conversar, de fato, com alguém. Se não seria possível fazer isso com suas parceiras, eles procuram as psicoterapeutas – um exemplo seria o Charlie de “Two and a Half Men” e o outro seria o personagem Thomas Crown (Pierce Brosnan) do filme “A Arte do Crime”.

Em suma, o que cada um vê, claro, são imagens, bonitas ou não, atraentes ou não. É necessário, no entanto, ir além das imagens.
As pessoas procuram destacar as qualidades e esconder os defeitos. Não são perfeitas. Longe disto. São como castelos de cartas.
Ou seja, atrás daquela beleza que aparece como absoluta, imponente e superior, escondem figuras frágeis e inseguranças, cujo maior medo seria que a sua insignificância fosse revelada.
São, na verdade, ingênuas porque acreditam que os truques que existem para melhor a imagem física podem esconder os defeitos da alma.

© profelipe ™

domingo, 31 de maio de 2015

"ANGEL OF MERCY"

Quando se fala em terapia, a primeira que surge na cabeça de qualquer pessoa é a freudiana, aquela que usa a palavra como meio de cura. Quando tratou de temas associados à depressão e à ansiedade, os jornalistas da revista “Isto É” deram destaque a terapia cognitivo-comportamental:
“O objetivo é ajudar o paciente a identificar pensamentos que estejam associados ao aparecimento de sintomas, encontrar formas de neutralizá-los ou de transformá-los e mudar os comportamentos que normalmente estão a ele vinculados. Na prática, significa, por exemplo, auxiliar um paciente a dar nova avaliação a uma situação que considera ameaçadora.”*
Existem outras formas de terapia, claro. Uma que chama a atenção é a terapia em grupo. Muitas vezes, nesses grupos, o anonimato é importante por causa do preconceito da sociedade. AA (Alcoólicos Anônimos) e NA (Narcóticos Anônimos) podem servir de exemplos. No filme “Clube da Luta”, aparecem outros tipos de grupos (câncer nos testículos, entre outros). A séria crise (mental) do personagem principal o leva a frequentar tais grupos.
Crise é também a palavra-chave na matéria da revista “Isto É”, só que aqui seria a crise econômica da sociedade “produzindo” as crises pessoais associadas à depressão e à ansiedade.
Num dos episódios de “Criminal Minds”, o “serial killer” encontra suas vítimas nestes grupos de terapia (álcool, drogas, depressão ou divórcio). Como ele acredita ser um “angel of mercy” (“anjo da piedade”), ele procura pessoas com grande sofrimento mas que seriam incapazes de cometer o suicídio. Ele realizaria “o desejo dessas pessoas”.
Existem enfermeiros e médicos que se colocam na condição de “angel of mercy”. Eles acreditam que podem decidir se um paciente deve ou não morrer. Corretos ou não (em suas ações), são considerados assassinos do ponto de vista jurídico.
Em tudo isso, a questão é que existe um problema e uma tentativa de cura (algum tipo de terapia, por exemplo). O foco – e isso tem a ver com a ideologia capitalista – fica sobre o indivíduo (álcool, drogas, depressão, ansiedade e assim por diante) e não sobre a sociedade.
Isso não só facilita o domínio de uma minoria sobre a maioria – o que acontece na prática – mas também cria a sensação de que “não foi comigo” e sim com aquele indivíduo (como se algumas pessoas fossem alvos e outras não – o que, de fato, seria uma ilusão).
Por outro lado, existe outro tipo de pensamento: assim como a morte é uma certeza e acontece com cada indivíduo, “a crise” ocorreria também. Seria só uma questão de tempo. Não haveria saída exceto aproveitar ao máximo o tempo em que a pessoa seria aceita por todos na sociedade.
Alienação? Ideologia? Mediação?
Na verdade, cada um, com ou sem terapia, escolhe uma maneira para lidar com os dilemas da vida.

© profelipe ™

(*) Cilene Pereira e Fabíola Perez. A crise mexe com a cabeça do brasileiro. Isto É, 24 de Abril de 2015. http://www.istoe.com.br/…/415311_A+CRISE+MEXE+COM+A+CABECA+…