sábado, 5 de dezembro de 2015

Sensibilidade

Crianças e adolescentes precisam de ídolos. Crescem (ao longo das décadas) e os ídolos envelhecem e morrem. A vida continua.

No entanto, quando toca “Ovelha Negra” da Rita Lee, para alguns, o mundo ganha uma dimensão que vai além do aqui agora. Pode ser outra música, como “Satisfaction” do Rolling Stones ou “Anarchy in U.K.” dos Sex Pistols.

Basta ter sensibilidade. Basta ter vivido intensamente a sua época.

Agora o noticiário parece estranho: jihadistas e desastres ecológicos de grandes proporções. Outras coisas nunca mudam: as mesquinharias cotidianas dos políticos brasileiros.

O que permanece e funciona como uma linguagem universal é o álcool. Não há preconceito (imediato) e o efeito é o mesmo para qualquer um. A sua função (desde sempre) é esquecer ou tornar a realidade mais suportável. Existem riscos, mas “na hora da bebida”, quem se importa?

© profelipe ™ 04-12-2015

Impeachment

1. Houve erros e depois veio o processo de impeachment:
“Elaborado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr e pela criminalista Janaina Paschoal, o documento elenca argumentos com base nos quais a petista deveria perder o mandato. Os autores alegam que Dilma cometeu crime de responsabilidade, por exemplo, por manter as chamadas pedaladas fiscais em 2015, com atrasos de repasses de recursos do Tesouro a bancos públicos, como o Banco do Brasil, o BNDES e a Caixa Econômica, e omissão de passivos da União junto a essas instituições.”*
2. O deputado Eduardo Cunha do PMDB precisava do apoio do PT, mas...
“Os deputados petistas no Conselho de Ética se sentiam constrangidos em apoiar o presidente da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha) “porque [enfrentariam] dificuldades em suas bases para votar a favor do peemedebista.”**
3. Veio a resposta de Eduardo Cunha. Com a abertura do processo de impeachment, a presidente Dilma foi a TV e mentiu:
“A presidente Dilma Rousseff se pronunciou por volta das 20h30 desta quarta-feira sobre a decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de acolher o pedido de impeachment contra ela. Metade do discurso foi dedicado a cotoveladas em Cunha. 
A outra, a mentiras - a presidente negou que o Planalto tenha tentado barganhar o arquivamento do documento em troca dos votos petistas a favor de Cunha no Conselho de Ética.
(...) Dilma afirmou ainda que nunca autorizou qualquer tipo de barganha entre representantes do governo e o presidente da Câmara.
‘Eu jamais aceitaria qualquer tipo de barganha que colocasse em risco o funcionamento das instituições ou o Estado democrático de direito’, disse.
No entanto, durante toda a tarde o governo procurou Cunha para oferecer-lhe uma última tentativa de acordo: não apenas os três votos no Conselho de Ética como uma defesa pública do peemedebista.”***

(*)http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/dilma-ataca-cunha-mente-e-nada-fala-sobre-razoes-do-impeachment/
(**)http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,cunha-vincula-impeachment-a-voto-de-petistas,10000003464
(***)http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/dilma-ataca-cunha-mente-e-nada-fala-sobre-razoes-do-impeachment/

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Tati Zaqui

Fui ao show da Tati Zaqui sem saber de quem se tratava (acho que comentei aqui na época). Não sabia que ela havia posado para a Playboy (não compro a revista desde julho de 2010), Ela posou em julho e só fiquei sabendo agora (a revista teria voltado às bancas por causa do sucesso das fotos).
Lendo sobre a cantora (de funk), fiquei sabendo que ela gravou uma música com um cantor sertanejo. Não vi o clipe (nem quero ver, sinceramente).
Escrevo sobre isso não só para mostrar que estou desatualizado sobre o que seria popular no Brasil. Acho que (inconscientemente) sou seletivo quanto ao noticiário nacional.
Escrevo também para tentar compreender o que parece óbvio e superficial e me pergunto se isso efetivamente representaria a chamada “juventude brasileira” (ou uma boa parcela dela).
O sucesso de Tati Zaqui começa pelo visual e o seu apelo à sexualidade. Ela é bonita, magra, canta funk e dança como se tivesse fazendo sexo (isso reflete na letras). Lembra o sucesso da Tiazinha, também bonita, magra e sensual, que se apresentava de lingerie, máscara e chicote associando a sua personagem ao sadomasoquismo. Na época da Tiazinha, uma garota comentou (no Rio) que não entendia o sucesso da Suzana Alves, porque ela não era nem tão bonita nem tão gostosa, que como ela havia dezenas nos terminais de ônibus da cidade. O mesmo acontece com a Tati Zaqui. A sua beleza é comum e pode ser encontrada em qualquer lugar. Talvez o sucesso de garotas assim possa ser explicado por estarem no lugar certo e na hora certa.
As fotos da Tati Zaqui confirmaram o perfil da garota atual das ruas que agora saem na Playboy: cabelo azul, tatuagem, piercing e bissexualidade. Hugh Hefner, criador da Playboy, demorou bastante tempo para aceitar tais modernidades.
Quanto ao show que vi da Tati Zaqui, lembro de pouca coisa. Parecia que balançar a bunda seria algo fundamental em sua performance, principalmente quando não estava cantando.
Enfim, o tema não é importante, mas resolvi escrever assim mesmo após finalmente ver as fotos da moça na Playboy.

 © profelipe ™ 02-12-3015

Playboy: França e Brasil

Em Paris, não era fácil encontrar uma edição da Playboy (francesa). A revista não era encontrada nas bancas da Champs-Élysées

Quando encontrei a revista, em outras lojas, o dono (com um olhar de preconceito) avisava que ela ficava no setor de material pornográfico. A edição da revista seguia o modelo internacional, mas nas páginas finais havia anúncios que dificilmente estariam de acordo com “o padrão Playboy de qualidade”. A edição francesa não existe mais.

Agora chega ao fim a Playboy brasileira. Diferente da francesa, desde o começo, a edição brasileira vinha associada a uma certa respeitabilidade. As suas longas entrevistas poderiam revelar informações fundamentais. Intelectuais importantes contribuíam com os artigos da revista. O seu “ranking de cursos e de universidades” era citado por todos.

Não havia vulgaridade na nudez apresentada pela Playboy brasileira.

Por isso mesmo, era visto como natural quando uma personalidade resolvia posar nua para a revista. Não existia escândalo. Havia uma espécie de orgulho dos envolvidos (a mulher e o marido, por exemplo).

Talvez a aceitação da Playboy por aqui tenha a ver com os ares tropicais. Quem sabe?

O fim da edição brasileira pode ser associado a inúmeros motivos, principalmente ao avanço da tecnologia (selfie, etc) e à mudança de comportamento (tatuagem, piercing, bisexualismo, nova forma de feminismo, niilismo, entre outras coisas).

A questão que fica agora é o que ocupará esse espaço da Playboy brasileira que teve um representação histórica no cotidiano nacional. Ou não. Em outras palavras, o fim da Playboy brasileira foi só um marco de algo que já não existia mais.

© profelipe ™

Ataques dos Pensamentos

A vingança é um erro. Ninguém é tão importante que mereceria tirar um tempo da sua vida.

Os ataques que sofre a noite tem a ver com você, assim, não procure um culpado para isso. Não vai adiantar. Os pensamentos não desaparecerão. Os pesadelos, mesmo que não sejam lembrados, estarão lá também.

Ao acordar, eventualmente, aparece o mal estar. Foi algo durante a noite, durante o sono, imagina. Mas o sonho é só uma representação complexa do que foi real um dia e que você gostaria de esquecer.

No entanto, não é assim que funciona.

Pode ser fácil utilizar a lógica para enganar os outros e a si mesmo. O problema é que existem coisas que vão além da lógica, que fogem do seu controle.

Aquela velha armadura racional não é útil aqui.

Fugir (fingir) não é a saída. Entretanto, não custa tentar, mesmo sabendo que quando a noite chegar não existirá lado para correr (de si mesmo)

© profelipe ™

Políticos Presos

Antes o PT era um partido diferente dos outros porque era o partido da ética. Depois que conquistou a presidência da República, as coisas mudaram.

Vieram os escândalos de corrupção, como o Mensalão e o Petrolão.

Quando os primeiros petistas foram condenados (novembro de 2012), o partido logo se colocou do lado dos seus militantes:

“A Executiva Nacional do PT divulgou documento nesta quarta-feira (14) em que ataca as condenações aos ex-dirigentes da legenda José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares no mensalão.”*

Quando ocorreram as prisões (dezembro de 2013), os petistas foram tratados como “heróis” e a culpa seria do Supremo Tribunal Federal (STF).** Alguns dos presos justificavam os seus atos porque tudo o que fizeram (mesmo a corrupção) seria para ajudar o partido (e não em benefício próprio).

Quando José Dirceu foi preso pela segunda vez, antes foi no Mensalão e agora seria a vez da Lava Jato, já não havia herói e nem o que comemorar. Houve silêncio e constrangimento por parte dos petistas, afinal, a história de que tudo seria para o partido não fazia sentido mais (agosto de 2015):

“O juiz Sergio Moro disse que José Dirceu recebia propina da diretoria de serviços da Petrobras. Segundo delatores, foi ele quem indicou o então diretor, Renato Duque. O juiz disse que Dirceu teria persistido em receber sua parcela de propina quando era deputado federal e ministro da Casa Civil, do governo Lula, e até mesmo depois de deixar o cargo.”***

Por último, veio a prisão do senador Delcídio do Amaral.

Antes o preso petista era “herói”. Depois ele gerava constrangimento ao partido. Com Delcídio do Amaral, o presidente do PT resolveu radicalizar ao dizer em nota oficial que

“o PT não se julga obrigado a qualquer gesto de solidariedade”¹*

A nota oficial petista foi vista como um absurdo até por políticos de outros partidos, afinal como seria possível desvincular as ações de uma liderança como a do senador Delcídio do Amaral dos projetos do Partido dos Trabalhadores?

© profelipe ™

(*)http://g1.globo.com/politica/mensalao/noticia/2012/11/em-nota-pt-diz-que-julgamento-do-mensalao-foi-politico.html
(**)http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,petistas-presos-sao-herois-diz-partido-no-rio,1102654
(***)http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/08/ex-ministro-jose-dirceu-e-preso-na-operacao-lava-jato.html
(¹*)http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2015/11/pt-nao-se-julga-obrigado-gesto-de-solidariedade-com-delcidio-diz-falcao.html
 

sábado, 28 de novembro de 2015

Teses e Assassinatos

Um estudante entra na sala que fará a defesa de sua tese e ele resolve “disparar contra os três professores do seu comitê (banca).”¹
Isso aconteceu na Universidade de Iowa em 1992. Era uma tese de mestrado. O mais comum nestes casos ocorre no processo de elaboração e defesa de uma tese de doutorado (por ser uma pesquisa mais complexa e que demandaria um período maior – no mínimo 4 anos).
No caso citado, o estudante era Frederick Martin Davidson. O ataque foi premeditado e os motivos estariam associados ao ambiente da universidade e as dificuldades de elaboração e aprovação de uma tese, ou seja:
“A tese de Davidson tinha sido rejeitada uma vez já, e ele poderia ter acreditado que a faculdade iria rejeitar a sua tese novamente. (...) [Davidson] estava ressentido com Liang, o seu orientador na pós-graduação, por longas horas de trabalho em laboratório com pouco crédito, ocupando-se em uma coisa que não tinha nada a ver com a sua tese.”²
Pode ainda acontecer que um doutorando, após anos de pesquisa, não receba o seu título de PhD. Ao invés disto, os professores da banca podem decidir dar-lhe um título de Mestre (mestrado). Essa estratégia, porém, pode não dar certo:
“Em 1989, Jens P. Hansen, um estudante de graduação na Universidade de Florida School of Medicine, foi à casa de Arthur Kimura, seu professor de patologia, e atirou nele. Dr. Kimura era o presidente de uma comissão que tinha acabado de votar para encerrar o estudo de pós-graduação do Sr. Hansen, depois de sete anos, com um grau de mestre.”¹
Talvez o caso mais famoso tenha ocorrido em Stanford, com Theodore Streleski:
“Em 1978, ele espancou o seu orientador, Karel DeLeeuw, até a morte com um martelo peen-ball após ser dito que, após 19 anos de pós-graduação, ele não obteria o seu doutorado.”¹
Ainda sobre esse processo...
“Durante o seu julgamento, Streleski disse ao tribunal que ele sentiu que o assassinato foi ‘lógico e moralmente correto’ e ‘uma declaração política’ sobre o tratamento do departamento [quanto aos] seus alunos de pós-graduação.”³
 Não dá para negar que existe um clima de tensão nos programas de mestrado e de doutorado. As cobranças são grandes. As bolsas de estudo e as verbas para pesquisa são disputadas. Existem muitas contradições em todo o processo que nem sempre são reveladas. Tudo isso, porém, não justificaria atitudes extremas como os assassinatos citados.

 © profelipe ™ 28-11-2015


(¹) Dennis Overbye. When Student-Adviser Tensions Erupt, the Results Can Be Fatal.

New York Times, March 27, 2007. http://www.nytimes.com/2007/03/27/science/27murd.html?_r=0
(²) The San Diego State University shooting.  http://murderpedia.org/male.D/d/davidson-frederick-martin.htm
(³)Theodore Streleski. Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Theodore_Streleski