quinta-feira, 1 de setembro de 2011

DOR DE CABEÇA


Entre os textos de Freud, "Sobre o Sonho" nunca foi um dos meus preferidos. Tenho só a edição francesa - "Sur Le Rêve" (Gallimard), que comprei, em 2000, em Nice. Cheguei, inclusive, a discutir um capítulo dele numa disciplina optativa que trabalhei no curso de Turismo e Hotelaria.
A obra mais importante de Freud é "A Interpretação dos Sonhos" ("Traumdeutung"). Possuo duas edições desse livro, uma em português e a outra, original, em alemão.
Lendo novamente "Sur Le Rêve", passei a dar mais importância ao texto e a entendê-lo melhor no contexto da produção de Freud.
Apesar de serem analisados outros casos de sonhos, as temáticas do livro já tinham sido trabalhadas por Freud em outras obras. De qualquer maneira, é interessante perceber como ele sintetizava algumas idéias, como no caso a seguir:


"Toute une série de phénomènes de la vie quotidienne de gens bien portants - oubli, 'lapsus linguae', méprises, et une cerraine classe d'erreurs - doivent leur naissance à une mécanisme analogue à celui du rêve et des autres membres de la série." ("Sur Le Rêve", p. 112)


Ou seja, o processo que "distorce" o sonho é análogo aos supostos esquecimentos, lapsos e erros da vida cotidiana. Existe um censura que impede o indivíduo de perceber e aceitar a mensagem contida num sonho assim como o verdadeiro significado de um esquecimento no seu dia-a-dia. Ele tem medo. Não quer compreender nem aceitar a sua frustração. Entretanto, há algo, nos processos citados, que ele não controla e que afeta diretamente o seu corpo, complicando ainda mais a sua fuga. Trata-se do inconsciente.
É comum ouvir uma pessoa falar diariamente "estou com dor de cabeça, fiz exames e não existe algo errado - mas... estou com dor de cabeça". Apesar do incômodo, ela evita um processo de auto-crítica que poderia indicar uma hipótese para o problema. Ela conclui: "é normal". Tenta acreditar que não existe algo errado com ela, apesar do seu corpo mostrar o contrário. Ela usa os exames "científicos" para reforçar a "verdade" que deseja aceitar: "eu sou normal".
Casos assim podem evoluir para doenças mais graves - como AVC (Acidentes Vasculares Celebrais) ou Mal de Alzheimer. Em outras palavras, processos supostamente invisíveis, que não aparecem nos exames, resultam em doenças "reais".
Basicamente, insistir na alienação pode ser uma alternativa, mas o preço a ser pago pode ser alto demais.


2011© profelipe /\ http://flertar.blogspot.com/ \/

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